A queda do Império Romano e o nascimento do cisne

A HISTÓRIA DO MUNDO SE CONFUNDE COM A DA IGREJA

Grandes homens da Idade Média considerados pensadores incorruptíveis, políticos, líderes religiosos e diversos homens de firmeza da velha Europa, influenciaram drasticamente os rumos do pensamento do ser humano na terra, em relação à filosofia, ciências, artes, matemática e diversas outras áreas do mundo atual.

Em relação à fé em Jesus Cristo e também em relação à forma em que se deveria prestar-lhe culto, essas pessoas também tiveram um papel crucial ao darem palpites e mais palpites. Já o papel da instituição Igreja sempre foi o de definir e ditar ao homem quais eram os preceitos “corretos” para se alcançar a salvação e o perdão. Na cultura dos povos e também e na economia mundial, bem como nas posições políticas víamos modelos moldados em sistemas arcaicos (apoiados pela Igreja),  que se favoreciam os ricos e esqueciam-se dos camponeses e miseráveis. Mas graças a Deus, foi também, neste período em que começaram à surgir vozes que mesmo na idade média, já apontariam para uma civilização moderna. Foram 200 anos com muitas histórias interessantes.

Homens para construir todo o intelecto que temos atualmente nasceram nesta região do mundo nesses anos. Vemos claramente neste período as histórias entusiasmantes de nações que geraram neste período pessoas como: Pedro Valdo, Leonardo da Vinci, John Wycliffe, Michelangelo, Erasmo de Roterdão, Cristóvão Colombo, Jon Hus, Maomé I, Clemente V e também Martinho Lutero. Era a Alta Renascença. Claro que muitos outros líderes e imponentes políticos, bem como religiosos surgiram nesta época, parecia bem claro que a vontade humana intelectual daqueles dois séculos era realmente de evoluir a sociedade em que viviam para uma sociedade mais humana e mais justa. Uma tarefa que até hoje tenta-se concluí-la.

Mas para entendermos como se deu essa transferência histórica de idade média para moderna, alguns acontecimentos que marcaram essa período, precisam ser contados. Um deles foi a Queda do Império Romano, que faria a Igreja Católica tomar outras atitudes importantes política e economicamente, a partir de então.

 A DEFINITIVA QUEDA DE DO IMPÉRIO ROMANO

Romanos na Batalha de Constantinopla

Romanos na Batalha de Constantinopla

Império Romano Ocidental

Bom, a partir do século III, o Império Romano ocidental entrou em declínio. Com o fim das guerras de conquista, esgotou-se a principal fonte fornecedora de escravos. Teve início a crise do escravismo que abalou seriamente a economia, fez surgir o colonato e provocou o êxodo urbano. Além disso, houve disputas pelo poder e as legiões diminuíram. Enfraquecido, o Império Romano foi dividido em dois e a parte ocidental não resistiu às invasões dos bárbaros germânicos no século V (de 401 a 500).

Império Romano Oriental

Mesmo com o fim do Império romano ocidental, o Império Oriental ou Bizantino não caiu, mas os turcos otomanos, em plena ascensão, conquistaram o a Ásia Menor bizantina no princípio do século XIV. Depois de 1354, ocuparam os Balcãs e finalmente tomaram Constantinopla, o que representou o fim do Império Oriental em 1453.

Mas para explicar como uma cidade deste porte caiu em mãos estrangeiras, representando o fim de um Império que existia desde quando Cristo estava vivo, é preciso voltar a séculos antes de 1453 e detalhar os eventos que enfraqueceram o Império:

  1. Constantinopla era, até o momento de sua queda, uma das cidades mais importantes no mundo. Localizada numa projeção de terra sobre o estreito de Bósforo a cidade funcionava como uma ponte para as rotas comerciais que ligavam a Europa à Ásia por terra. Também era o principal porto nas rotas que iam e vinham entre o mar Negro e o mar Mediterrâneo;
  2. A partir do século III, o centro administrativo do Império Romano tendia a voltar-se mais para o Oriente, por múltiplas razões. Primeiro pela necessidade de defesa das fronteiras orientais; depois porque o oriente havia se tornado a parte econômica mais vital do domínio romano; por fim Roma era uma cidade rica de vestígios pagãos, o que agora era inconveniente num império cristão: seus edifícios, sua nobreza senatorial era totalmente apegada à religião tradicional de Jesus Cristo, mesmo que por praxe e não por uma fé fervorosa e verdadeira;
  3. Assim Constantino decretou a construção de uma nova capital, nas margens do Bósforo, onde havia a antiga fortaleza grega de Bizâncio, num ponto de grande importância estratégica, nas proximidades de dois importantes setores da limes: a região do baixo Danúbio e a fronteira do Império Sassânida. A nova cidade, que recebeu o nome de Constantinopla, isto é, “cidade de Constantino”, foi concebida como uma “nova Roma” e rapidamente tornou-se o centro político e econômico do Império;
  4. Sua criação teve repercussões também no plano eclesiástico: enquanto em Roma a Igreja Católica adquiriu mais autoridade, em Constantinopla o poder civil controlou a Igreja. O bispo de Roma pôde assim consolidar a influência que já possuía, enquanto em Constantinopla o bispo baseava seu poder no fato de ser bispo da capital e no fato de ser um homem de confiança do Imperador;
  5. Durante a Quarta Cruzada em 1204, foi capturada pelos cruzados. Em 1261, foi recapturada pelas forças do Império de Niceia, sob o comando de Miguel VIII Paleólogo. Porém Constantinopla não recuperou o antigo esplendor e iniciou a decadência que quase dois séculos depois levaria ao fim definitivo do império.

FEUDAL por FEUDAL

Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente, por volta do século V d.C. (de 401 a 500), em decorrência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das péssimas políticas econômicas dos imperadores romanos, várias regiões da Europa passaram a apresentar baixa densidade populacional e ínfimo desenvolvimento urbano.

O esfacelamento do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras, ocorridas em diversas regiões da Europa, favoreceram sensivelmente as mudanças econômicas e sociais que vão sendo introduzidas e que alteraram completamente o sistema de propriedade e de produção característicos da Antiguidade principalmente na Europa Ocidental. Essas mudanças acabam revelando um novo sistema econômico, político e social que veio a se chamar Feudalismo. O Feudalismo não coincide com o início da Idade Média (século V d.C.), porque este sistema começa a ser delineado alguns séculos antes do início dessa etapa histórica (mais precisamente, durante o início do século IV), consolidando-se definitivamente ao término do Império Carolíngio, no século IX d.C.

Em suma, com a decadência do Império Romano e as invasões bárbaras, os nobres romanos começaram a se afastar das cidades levando consigo camponeses (com medo de serem saqueados ou escravizados). Já na Idade Média, com vários povos bárbaros dominando a Europa Medieval, foi impossível unirem-se entre si e entre os descendentes de nobres romanos, que eram donos de pequenos agrupamentos de terra. E com as reformas culturais ocorridas nesse meio-tempo, começou a surgir uma nova organização econômica e política: o feudalismo

Pirâmide Feudal (Século XIV)

Pirâmide Feudal (Século XIV)

O feudalismo, portanto era a forma desigual de gestão econômica, das diversas e sociedades antigas organizadas, mas é importante salientar que neste período, os povos como Portugueses, Espanhóis, Alemães e Ingleses, já estavam organizados em suas comunidades espelhadas pelas regiões em todo o continente, e liderados por seus reinos, cada um deles teriam histórias impactantes nos próximos anos que aflorariam ainda mais o anseio popular por mais mudanças.

Bom, para continuar na minha abordagem sobre a história da igreja, vamos nos fixar na história de alguns homens.

Com o fortalecimento das ideias de Huss, mesmo após sua morte em 1415 ,  a Igreja Católica se tornava a cada década ainda mais atenta. Estava-se criando um novo meio de fiscalização. A “Santa” inquisição foi talvez, até para muitos católicos hoje, um dos piores mecanismos de Igreja Católica no período, e o mais vergonhoso depois de Cristo. Pois querendo ou não era a  própria igreja que perseguia, calava e matava, mas tudo em nome de Deus.

NASCIMENTO DE UM CISNE QUE NINGUÉM CALOU

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Mesmo perante ao Rei ele não se calou.

Quase na virada do século XIV para o XV, em 1483 nasce Martinho Lutero, cumprindo-se a “profecia de Huss” que há 100 anos na Boemia já previa a vinha de um cisne que ninguém calaria. Já na sua juventude logo após um raio cair ao seu lado e não o matar, ele resolveu seguir os caminhos cristãos, num monastério da Igreja Católica na Alemanha.

Dedicando-se muito a verdadeira intimidade com a doutrinação cristã, passava dias em jejuns, orações e sacrifícios. Até que então resolveu sair da Alemanha até Roma andando. Isso mesmo da Alemanha até Roma andando, não ficou nenhum pouco contente com o que viu. Os fieis subindo as escadarias de joelhos para conseguir indulgências a intensa tão bela riqueza da Igreja Romana, enfim Lutero estava no meio de sua procissão, uma estrondosa e milagrosa voz falou ao seu coração pela primeira vez: “O justo viverá pela fé’”.

Imediatamente Lutero se levantou e buscou estudar  a carta de Paulo aos Romanos e a doutrina de Justificação pela Fé. Saiu dali envergonhado. Assim percebeu que as palavras de Apóstolo Paulo, haviam indicado aos Romanos em sua carta, que de fato eram para serem vividas as verdadeiras doutrinas de Cristo mas que estavam sendo distorcidas pela Igreja da época. Mas não compreendia como seria executar o compromisso que Deus estava colocando em seu coração: Revolucionar a Igreja e abrir os olhos da humanidade.

Eu senti renascer e ter passado através de portas abertas para dentro do paraíso. Toda escritura teve um novo significado, e se antes as escrituras me enchiam de ódio, agora ela se tornou para mim inexprimivelmente doce em um amor maior. Essa passagem de Paulo se tornou para mim um portão para o céu” exclamou Lutero.

Em 1455 o Papa Calisto III além de manter uma postura firme diante às posturas políticas e econômicas da Igreja na época, ele ainda criou o Padroado, que era um tratado entre a Igreja Católica e os Reinos de Portugal e de Espanha. A Igreja Católica delegava aos monarcas destes reinos ibéricos a administração e organização da Igreja Católica em seus domínios. O rei mandava construir igrejas e era responsável pela sua manutenção, nomeava os padres e os bispos, sendo estes depois aprovados pelo Papa.

Assim, a estrutura do Reino de Portugal (um dos mais antigos da Europa) e de Espanha tinha não só uma dimensão político-administrativa, mas também religiosa. Com a criação do Padroado, muitas das atividades características da Igreja Católica eram, na verdade, funções do poder político. Particularmente a Inquisição, que nos Impérios Ibéricos funcionou mais como uma polícia do que a sua função inicial religiosa.

O Padroado português foi muito alterado ao longo dos tempos, mas os seus últimos vestígios foram suprimidos com o Concílio Vaticano II. Por exemplo, até este Concílio, era o Chefe de Estado Português que impunha o barrete cardinalício ao Patriarca de Lisboa. Atitudes como estas político-religiosas preocupavam o coração de Lutero.

Após perceber que havia algo de errado Lutero buscou estudar e tentar descobrir o que deveria fazer afim de mudar o rumo das coisas. No próximo capítulo iremos ver o que através deste homem o Espírito Santo de Deus fez na terra, bem como suas repercussões.

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