O SOL SE CONVERTERÁ EM TREVAS E A LUA EM SANGUE ?

"Lua de Sangue" hoje (15)  vista de Santa Catarina. Foto: Igor Zanin

“Lua de Sangue” hoje (15) vista de Santa Catarina. Foto: Igor Zanin

A tão falada “Lua de Sangue” ou eclipse lunar, pode ser observado na madrugada desta terça-feira (15), a partir das 2h58 (horário de Brasília) em todos os países das Américas e parte da África. Os eclipses são fenômenos comuns e acontecem periodicamente. Mas este tem algo diferente.

Primeiro: não é apenas um, mas uma sequência de quatro eclipses.

Para o fundador da Igreja Cornerstone do Texas, John Hagee, a sequência de eclipses pode significar “o começo do fim do mundo”. Para o religioso, as “Quatro Luas de Sangue” são um presságio do Dia do Juízo Final, o retorno de Cristo à Terra. O fenômeno é citado em uma passagem bíblica do Livro de Joel, no Antigo Testamento, que diz: “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Joel 2:31).

A Igreja Cornestone se organizou para a passagem da tétrade (como é chamada a sequência de quatro eclipses) há alguns anos e, entre os preparos, um livro foi escrito por Hagee chamado “Blood Moons: Something is About to Change” (em tradução livre: Luas de sangue: Algo está prestes a mudar). O livro, de 2013, não tem edição no Brasil, e explicaria tais profecias.

O ciclo de Tétrade começa em 15 de abril e terminará apenas em 28 de setembro do próximo ano.

A sequência de eclipses totais foi presenciada em outros momentos da História, entre eles: na Idade Média, em 1493, quando os judeus foram expulsos pela Inquisição Católica na Espanha; a segunda, em 1949, quando o Estado de Israel foi estabelecido na Palestina, e a terceira em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias entre Árabes e Israelenses.

Por que vermelho?
Povos na China diziam que a Lua ficava ‘manchada de sangue’. Na verdade, a coloração vermelha pode acontecer no ponto máximo de qualquer eclipse lunar. “A atmosfera da Terra é muito fina (uma camada de 150 km), e quando a luz do sol passa por esta crosta, ela incide uma cor que mostra o quanto de sujeira há naquele momento”, explica o astrônomo e diretor do Observatório Astronômico do Departamento de Astronomia da UFRGS, Claudio Miguel de Bevilacqua.

Além da sujeira da atmosfera, outros fatores causam a cor avermelhada: a incidência dos raios solares é parcialmente absorvida na atmosfera, exceto a faixa de luz vermelha e, por último, a posição e distância entre o satélite e o planeta.

Segundo Bevilacqua, existe um índice chamado Danjon que calcula o grau de avermelhamento do eclipse. Ele vai de 0 (que seria um eclipse completamente negro) a 4 (com a presença da lua bastante avermelhada/alaranjada e brilhante).

Uma “Lua de sangue”, portanto, não é nada além da própria Lua durante o eclipse, quando pode assumir uma coloração avermelhada no ponto máximo (total) do fenômeno. A cor dependerá das condições da atmosfera terrestre: se tiver com mais nuvens, poeira vulcânica e areia, por exemplo, o eclipse apresentará uma cor mais avermelhada do que se tiver uma atmosfera mais limpa.

Vários presságios já foram relacionados ao “sumiço da Lua” nos céus, por desconhecimento de causas do fenômeno pelos povos antigos, o que já foi totalmente explicado pela ciência. Por isso, para o astrônomo, o presságio das “quatro luas de sangue”, conforme Hagee e seus seguidores acreditam, “é pura invencionice”. “A cor avermelhada remete à Marte, deus da guerra, do sangue. Não tem significado físico nisso. Para a astronomia, só iremos ver a lua avermelhada”, afirma.

Presságio de fim de mundo é “falta de fé”
Mas não são somente os cientistas que não acreditam na linha de pensamento de Hagee. Para o teólogo, professor de Antigo Testamento na Escola Superior de Teologia (EST) e Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Carlos Arthur Dreher, a teoria do religioso americano significaria “falta de fé”.

“Para os cristãos, está muito claro que não saberemos quando Jesus Cristo retornaria à Terra. No Novo Testamento, quando Jesus diz: ‘venho com um ladrão no meio da noite (…) vigiai e orai, pois não sabeis o dia e a hora’. Então, os sinais são sempre resultado de nossa interpretação de fenômenos na natureza”, defende.

Ainda segundo o teólogo, o Livro de Joel, onde estaria o presságio das Luas de sangue, está entre os Livros do Antigo Testamento chamados de “apocalípticos”, assim como o livro de Daniel. Dreher explica que tais livros foram escritos por pessoas que usavam linguagem cifrada, ou seja, em códigos

“No trecho de Joel, está em jogo um termo clássico que é ‘O Dia do Senhor’. Isso é curioso, porque existe uma tradição no Antigo Testamento como sendo um dia positivo, quando Deus resolveria problemas do povo de Israel. Após o livro de Amós, como no Livro de Sofonias, encontramos este dia como sendo relacionado a algo negativo e terrível. Mas, na verdade, a questão é: o dia é terrível para quem?”, pergunta.

“Até hoje as pessoas relacionam dias ruins à vontade de Deus. Para nós, cristãos, caso ocorra algo ruim, nós temos a certeza – por causa da ressureição de Cristo – que estaremos nas mãos de Deus”, finaliza.

Outros eclipses este ano
O eclipse lunar desta terça-feira, 15, poderá ser visto, a olho nu, a partir das 2h58 da manhã (parcial). O ponto máximo do fenômeno acontecerá às 5h24, quando o eclipse será total. Portanto, pessoas que estão nos continentes americano e africano poderão apreciar o espetáculo por 3h35.

Outros eclipses acontecerão este ano: 29 de abril (anular solar), 8 de outubro (eclipse total lunar) e 13 de outubro (solar parcial).

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