NO MUNDO ‘MANDA QUEM PODE E OBEDECE QUEM TEM JUÍZO’?

Para o Barão de Montesquieu, "As leis, no sentido mais amplo, são as relações necessárias que derivam da natureza das coisas."

Para o Barão de Montesquieu, “As leis, no sentido mais amplo, são as relações necessárias que derivam da natureza das coisas.”

O debate sobre o paradigma intergeracional nas relações internacionais, nos garante uma nova perspectiva sobre o futuro do sistema geopolítico mundial

Por Ronie Lobato

O paradigma  geracional,  posto no mundo moderno apresenta uma sociedade governada pela geração X [nascidos depois de 1960] e totalmente dependente tecnológicamente da Geração Z [nascidos depois de 1990]. Em mais uma das palestras do XVI Congresso de Ensino Pesquisa e Extensão do Centro Universitário de Brasília (UNICEUB), na noite desta terça-feira (30) diversos estudantes puderam traçar os perfis sociais e as relações destes grupos e tentar compreender como se construirá o futuro geopolítico do planeta.

Comandada pelo Mestre em Direito Internacional, Professor André Pires Gontijo e pela Mestra Professora Aline Thomé Arruda, cerca de 50 estudantes de diversos cursos da instituição, puderam conhecer um pouco mais sobre as separações geracionais e suas influências no campo geopolítico do cenário internacional.

Desde o século passado, a forma de classificar gerações de épocas específicas e nomeá-las, tem sido um hábito cada vez mais comum. Diferentemente de separar por idade, sexo ou renda, a classificação por gerações se apresenta mais correta para definir alguém, mesmo com o passar dos anos, pois ela permanece com suas denominações, independente de mudanças pessoais, de faixa etárias ou econômicas. Porém tais classificações não são bem aceitas em todas as áreas do conhecimento, embora amplamente utilizada.

GERAÇÃO X

Com base nesta teoria das gerações, o entendimento comum nas relações internacionais  é que a guerra fria é uma guerra da Geração X (inclui as pessoas nascidas a partir do início dos anos 1960 até o final dos anos 1970, podendo alcançar o início dos anos 1980, sem contudo ultrapassar 1984.) e que a geração X é ainda a geração que está no poder do mundo.

No entanto o grande paradigma é que os principais mecanismos de relação social do século XXI, são provenientes e mais adaptados à geração Z (nascidas na década de 90 até o ano de 2010). Para o Professor André esta atuação ela gera uma certa interdependência geracional

“Um exemplo clássico foi quando o Estado de Israel começou a se utilizar dos diversos mecanismos tecnológicos e elementos diretos das gerações Z e Y para combater o Hamas, à alguns meses atrás. Existe portando um cenário muito fragmentado e totalmente favorável ao domínio da geração Z” disse o professor.

Para ele, toda essa disputa multicultural entre sociedades do mundo oriental são necessariamente contra o perfil da sociedade ocidental, que  hoje é muito mais pautado pela geração Z do que pela geração X. Os novos  padrões culturais, então vem sendo construídos também ao longo dos anos com base neste conflito geracional.

“Antes em meados dos anos 70 só a geração X promoviam um “Apartheid Cultural” agora a situação é desfragmentada e muito influenciada pela indústria cultural globalizada que mantem um núcleo estruturante internacional, e a geração Z domina boa parte dos interesses desta indústria” comentou.

GERAÇÃO Z

De fato, as pessoas da Geração Z são conhecidas por serem nativas digitais, estando muito familiarizadas com a World Wide Web, compartilhamento de arquivos, telefones móveis e MP3 players, não apenas acessando a internet de suas casas, e sim também pelo celular, ou seja, extremamente conectadas à rede. Existe um gráfico que mostra detalhadamente as posições e as diversas classificações das gerações ao longo dos anos veja:

grafico

Classificação da Teoria das Gerações

Ainda segundo o Professor André, após esta ascensão da geração Z, novas formas de conflitos internacionais tem se moldado, vejamos alguns deles:

“Primeiro temos a diferença de poderio bélico tecnológico, mais uma vez usando o exemplo de Israel, em 1982 e também na década passada, eles fizeram uma série de ataques cibernéticos junto com os Estados Unidos atrasando o desenvolvimento nuclear iraniano” contou André.

Estes foram dois dos maiores ataques cibernéticos da história. Toda esta estrutura são portanto, armas da geração Z utilizada politicamente pelas gerações X. Nestes casos os sistemas de controle da central nuclear de Bushehr, assim como os de outras indústrias, foram afetados por um vírus de potência sem precedentes, chamado Stuxnet.

Um outro diferencial nos conflitos internacionais neste novo período, ainda segundo o Professor André, está no foco flutuante da mídia jornalística.

“Atualmente o foco midiático não se prende muito tempo em um só assunto ou país,  até tornar totalmente claro à opinião pública quais são os reais motivos do  conflito em questão, quais são os problemas envolvidos, etc”

A SUCESSÃO

Concluímos portanto, que em todo o mundo a  Geração X está no comando, sempre assessorada pela Geração Z. Agora, uma característica intrínseca da geração Z é a sua volatilidade, e muita das vezes, a sua falta de experiência e coerência. Vários especialistas rotulam estas pessoas da Geração dos “camaleões ambulantes”, que mudam com muita facilidade conforme as mais diversas situações ideológicas, sociais, políticas e culturais.

“A grande qualidade da geração Z é capacidade de ter muitas informações e deter os conhecimentos específicos oriundos da globalização, no entanto ela ainda não está preparada para romper com o poderio da geração X” disse André.

Para a Mestra Professora Aline Maria Thomé as redes sociais e os mais diversos mecanismos de comunicação e relação oriundos da globalização influenciam o cenário e as concepções de poder no mundo atual.

“As mídias tem um papel fundamental no processo de fragmentação do poder da geração X, dando voz e espaço aos integrantes da geração Z, no entanto,  mais uma vez é um espaço volátil e incerto pois deixam todas as questões muito inconsistentes, o que pelo que me parece ainda não tem o poder de forçar uma sucessão” disse Aline.

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