AS DECISÕES ESTRATÉGICAS DO GOVERNO DILMA ESTÃO ERRADAS, ACUSA FHC

Foto: Daniel Gonzaga / ComunicaDCE

Foto: Daniel Gonzaga / ComunicaDCE

Um evento para o futuro. Em palestra com o tema “Brasil: Qual será teu futuro?” realizado no Centro Universitário de Brasília- UniCEUB, o ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, deu uma palestra apresentando possíveis passos para a transformação social do Brasil nos próximos períodos. O ex-presidente comentou sobre os cortes de gastos anunciados na sexta (22) pela Governo Dilma Rousseff (PT) e como eles são prejudiciais para o Brasil. O ex-presidente afirmou que o governo “vai pagar pelos pecados” e terá que tomar medidas de contenção. O corte, de R$ 69,9 bilhões é o maior contingenciamento registrado na história do país. A medida faz parte da tentativa do governo de promover o ajuste fiscal e reequilibras as contas públicas.

“Esse próprio governo vai pagar pelos pecados, vai ter que tomar medidas de contenção”, declarou.

Durante a palestra, FHC definiu como eixos centrais para a transformação social, política e econômica do Brasil, a nossa sabedoria em tomar as decisões estratégicas corretas para reformar nossa base energética, transformar nossa educação, e principalmente, reformar nossa política. Somente assim, segundo ele, colocaremos o Brasil em um patamar de desenvolvimento mundial e sairemos da periferia do capitalismo.

Para FHC, os últimos governos erraram bastante. “Além dos equívocos nas políticas externas, há outros problemas muito sérios. “Sempre tivemos vantagens em nossa matriz energética e hoje passamos a ter preocupação muito grande com isso. Não nos preparamos. É uma dor de cabeça nova que foi criada, não tinha antes. O estado tem que regular bem, tem que fazer parcerias privadas. Não pode fazer as coisas sozinho”. Para ele, o Brasil do futuro vai depender de decisões estratégicas, que ainda não estão claras. “Nenhum país está fadado a dar certo ou não. Depende de nossas decisões”

CRÍTICA AOS ATRASOS NO FIES

Em crítica ao Governo Dilma, FHC declarou “O governo enganou  a população. É um bom programa, mas tem que ser feito com mesura, e foi feito um tanto demagogicamente”. FHC disse ainda “o governo errou a dosagem, assim como na questão fiscal, começou oferecer o que ele não tem.  Agora o Brasil está pagando o preço”. Segundo o ex-presidente , no Brasil sempre vai haver a necessidade de um programa como FIES para auxiliar os mais humildes, no entanto, “o governo não pode prometer o que ele não pode cumprir,no decorrer do tempo, não adianta poder cumprir hoje e não poder cumprir amanhã”

CREDIBILIDADE E HISTÓRIA

Nascido em 1931, e com um bojo cultural, acadêmico, político e profissional admirável, FHC lembrou que historicamente o Brasil sempre apresentou-se como uma nação ímpar nas revoluções sociais do mundo.

“Enquanto o Chile pautava-se em uma revolução social por reformas nas estruturas de poder, a França por exemplo, enquanto eu era Professor universitário lá, passava por revoluções que pautavam reformas culturais e nas emoções e  no modo de agir e pensar da sociedade. Eu cheguei a ver, Jean Paul Sartre ser vaiado na antiga Europa. O Brasil sempre esteve num meio termo destas revoluções” disse.

Falando de visão para o crescimento, FHC disse que no Brasil de hoje falta maturidade. “Falta um olhar estratégico para o Brasil de hoje, para saber onde está o polo de crescimento. Não se pode ser ideológico. Temos que observar onde está o crescimento. Eu não sou contra a alianças com países da África ou de qualquer lugar” disse comentando sobre a políticas de alianças do Partido dos Trabalhadores. Em relação ao atual ‘lado’ tomado no mundo por este governo, FHC disse: “Nós não somos bolivarianos. Mesmo que alguns corações partam para isso”.

A CONSTITUINTE

O marco civilizatório da nossa democracia foi a Constituinte de 1988, da qual Fernando Henrique Cardoso, foi Vice-Presidente da Comissão de Sistematização no Congresso Nacional.

“A constituição é realmente democrática. No que diz respeito à assegurar direitos a constituição é boa, fomos bem liberais nela, mudamos muita coisa. Estávamos em outro mundo do ponto de vista político. Não haviam forças da sociedade civil, capazes de conduzir o processo econômico e a constituição fez isso além de garantir direitos e colocar o Brasil nos rumos” disse.

Organizada em nove títulos com 245 artigos dedicados a temas como os princípios fundamentais, direitos e garantias fundamentais, organização do estado, dos poderes, defesa do estado e das instituições, tributação e orçamento, ordem econômica e financeira e ordem social, a Constituição de 1988, traz entre suas principais conquistas o restabelecimento de eleições diretas para os cargos de presidente da república. A Constituição também estabeleceu o direito de voto para os analfabetos, o fim à censura aos meios de comunicação, obras de arte, músicas, filmes, teatro e similares.

“A constituinte desenhou  um futuro social democrático para o Brasil, por exemplo, condicionando a propriedade à sua função social, o que deu vida à reforma agrária” declarou o ex-presidente que ajudou a construir a carta magna.

Após fazer uma abordagem linear sobre como o Brasil foi impactado pela crise do petróleo em 78, pelos anos de construções criativas na economia durante os governos de José Alencar, Itamar Franco e Fernando Collor, o ex-presidente explicou como, neste período a  inflação subiu e a dívida externa dos países da América Latina aumentou. FHC também lembrou que nesta época o Brasil caminhava a passos muito curtos, tanto é que Collor chegou afirmar que “Nós não tínhamos uma produção de automóveis e sim de carroças”, devido nossa tecnologia não ser boa e a nossa produção apenas nacional.  FHC também comentou o impacto da crise de 2007 e disse que o Brasil não soube agir naquele momento. “Quando Lula disse que era uma ‘marolinha’ mostrou que a vontade política dele era suprema. Depois a lei de responsabilidade fiscal, o câmbio livre, e diversas medidas que tomamos, foram deixadas de lado” comentou.

REFORMA POLÍTICA

Já em coletiva de imprensa, quando questionado, sobre a reforma política que entrará em pauta nesta semana na Câmara dos Deputados, FHC disse que o cerne da questão, não é o financiamento público de campanha, e sim a Circunscrição. A necessidade atual de  tornar a relação do eleitor mais próxima do eleito, faz com que a restrição ao colégio eleitoral, que fica numa região, e aos candidatos, que só podem disputar naquela circunscrição, seja necessária para que se possa permitir a proximidade democrática entre candidatos e eleitores.

Por exemplo, uma circunscrição, portanto, poderia ser a capital de São Paulo, que tem 10 milhões de habitantes e teria um quarto dos deputados. São Paulo tem 70 deputados, e parte deles disputaria só na capital. Esse modelo reduziria a distância entre o representando e representante, evitando os candidatos paraquedistas como vemos hoje e diminuiria custos absurdos de candidatos mercenários.

O FUTURO

Não há como negar que a juventude tem um papel fundamental no que diz respeito ao futuro do país. Durante a palestra FHC provocou a platéia à descobrir novas lideranças na política, o que ele não vê, em comparação ao surgimento de novas lideranças empresariais. Para ele, a politica não corresponde mais ao que o povo deseja. “Novas lideranças precisam sair das ruas. Só assim tudo vai mudar”. Ele lembrou das manifestações ocorridas em junho de 2013 e também dos protestos que se seguiram contra a corrupção e pelo Impeachment de Dilma em 2015.

Segundo o ex-presidente o papel da internet em torno da mobilização social, neste início de século é crucial para o protagonismo da juventude e para o surgimento de novos líderes. Entre a juventude, FHC tem muita credibilidade, diferentemente de outros ex-presidentes. Após a palestra diversos estudantes do UniCEUB se uniram para registrar fotos com o homem que criou o Plano Real e deu outro rumo ao país em uma época de incertezas.

Membros do DCE do UniCEUB com Fernando Henrique Cardoso.

Membros do DCE do UniCEUB com Fernando Henrique Cardoso.

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